Transformação educacional e cultural: Mundial de Robótica marca trajetória de estudantes de Mato Grosso
A participação de estudantes de Mato Grosso no Mundial de Robótica, realizado em Houston, nos Estados Unidos, vai muito além dos resultados conquistados nas arenas de competição. Para alunos do Sesi Escola Várzea Grande, do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), a experiência representa uma imersão completa em ciência, tecnologia e inovação, aliada a vivências culturais que ampliam horizontes e transformam perspectivas de futuro.
Estreia em grande estilo
Um dos destaques é a equipe Young Inventors, do Sesi Escola VG. Campeãs do regional de Mato Grosso e segunda melhor equipe do Brasil no campeonato nacional, as alunas encerraram o mundial na 22ª posição geral na mesa, consolidando-se entre as 22 melhores equipes do mundo — um resultado que reforça a qualidade da formação e o protagonismo dos estudantes mato-grossenses no cenário internacional.
A participação também marca um momento histórico para o Sesi MT. Foi a estreia da instituição no mundial de robótica, com um feito ainda mais simbólico: uma equipe formada exclusivamente por meninas, evidenciando o protagonismo feminino na ciência e na inovação. A conquista reforça a força de uma educação baseada na metodologia maker e na abordagem STEAM, que estimula o pensamento crítico, a criatividade e a capacidade de transformar ideias em soluções.
A aluna Gisele Moraes, líder do time, destaca o impacto da experiência em sua trajetória. Para ela, estar no maior festival de robótica do mundo ao lado de estudantes de diferentes países evidencia a importância de oportunidades educacionais que conectam conhecimento e prática. Gisele ressalta que, além do aprendizado técnico, a vivência proporciona troca de experiências, trabalho em equipe e desenvolvimento pessoal. “Aqui esses estudantes desenvolveram além de habilidades na arena de competições, eles conversaram com estudantes de vários países, conheceram algumas escolas, desenvolveram habilidade de resiliência e comprometimento também, claro, muita ciência, tecnologia e inovação. Esses estudantes são o futuro do Estado de Mato Grosso”, afirma.
Na visão de Izabela Bonfá, articuladora de robótica do Sesi, acompanhar o desenvolvimento desses alunos é perceber, na prática, o impacto da educação inovadora. “Ver os estudantes aplicando em competições internacionais tudo o que aprendem em sala de aula demonstra o quanto a robótica educacional contribui para a formação de jovens mais preparados, criativos e confiantes”.
Trajetória de sucesso
A Mutum-X também sai gigante do Mundial. Para a integrante do time, Ketlen Carvalho, que cursa ensino médio Seduc e formação técnica no Senai, destaca as mudanças que viveu desde que ingressou na robótica. “Antes, não sabia qual caminho seguir profissionalmente e tinha dificuldades para falar em público. Hoje, superei a timidez, desenvolvi autoconfiança e passei a enxergar novas possibilidades para o futuro”, conta.
Para a gerente Executiva de Educação Profissional e Superior do Senai, Jocely Rosanna, o avanço técnico das equipes é resultado de um trabalho consistente e integrado. O nível de maturidade tecnológica dos robôs apresentados no mundial chamou atenção e reflete o crescimento contínuo dos times, que nesta edição subiram 12 posições no ranking em relação ao ano anterior. “A experiência internacional proporciona uma imersão completa, com interação entre diferentes culturas, contato com novas tecnologias e desenvolvimento de habilidades essenciais para o mercado de trabalho”.
Nesse contexto, a parceria do Senai MT com a Secretaria de Estado de Educação tem papel fundamental. Atualmente, mais de 12 mil jovens participam dessa iniciativa integrada, que permite aos estudantes da rede pública cursarem, simultaneamente, o ensino regular e a formação técnica no Senai, ampliando suas oportunidades e perspectivas.
A secretária adjunta de Gestão Educacional na da Seduc-MT, Jessyca Campos, reforça que a presença desses alunos no maior festival de robótica do mundo evidencia a importância de políticas públicas bem estruturadas. “Além das competências desenvolvidas na arena, os estudantes vivenciam experiências únicas, como a troca com equipes internacionais, o contato com diferentes realidades educacionais e o fortalecimento de habilidades como resiliência, comprometimento e inovação”.
Ao retornarem para casa, esses jovens levam na bagagem uma visão ampliada de mundo, novas competências e a certeza de que são protagonistas na construção do futuro de Mato Grosso.
Texto: Fernanda Nazário