Aprendizes do Senai e Energisa resgatam a cultura cuiabana em disciplina de aprendizagem técnica
Mariana Marioto palestrou em evento no Senai Porto
Em meio à crescente influência de culturas globais entre os jovens, alunos do Senai Porto, em Cuiabá, decidiram olhar para as próprias raízes. A turma de aprendizagem técnica em Administração, em parceria com a Energisa, realizou um projeto integrador voltado à valorização da identidade e cultura cuiabana.
A iniciativa, intitulada “No Toque da Viola de Cocho: um mergulho na alma cuiabana”, foi estruturada em dois dias. O primeiro dedicado a palestras sobre história, dança e artesanato. Já no segundo, teve uma feira cultural, reunindo manifestações tradicionais como Siriri, Cururu, culinária e artesanato regional.
Para o aluno João Otávio, o projeto nasce de uma lacuna percebida entre os próprios jovens. “Muitos não acompanham o Siriri, Cururu, Lambadão, Rasqueado. Às vezes nem conhecem a nossa história. Eu mesmo não fazia ideia do quanto a cultura cuiabana é grande. A gente precisa promover isso para não perder a nossa essência”, afirmou.
na prática em ambiente com desafios reais
Além do resgate cultural, o evento também funcionou como um laboratório prático de gestão. Os próprios alunos ficaram responsáveis por todas as etapas da organização, desde o planejamento até a execução.
Segundo a professora Naélia Veroneze, a proposta vai além da teoria em sala de aula. “Eles planejaram tudo: escopo, convidados, organização. Aqui eles aprendem não só a gestão organizacional e a comunicação empresarial, mas também habilidades como liderança, trabalho em equipe e gestão de conflitos”, explicou.
Os desafios, no entanto, foram reais, e próximos da rotina do mercado. A dificuldade em captar participantes e alinhar agendas foi um dos principais obstáculos enfrentados pela turma.
pela turma de aprendizagem técnica da Energisa
“Foi muito difícil conseguir palestrantes, bandas e grupos culturais. A gente falou com mais de 30 contatos, ligando um por um. Muitas pessoas não conseguiam participar por causa do trabalho. Esse foi o maior desafio”, relatou João Otávio.
A limitação de tempo também exigiu adaptação rápida. Com cerca de quatro semanas para estruturar o evento, os alunos precisaram lidar com imprevistos, como cancelamentos de última hora. Ainda segundo Romildo, a divergência de ideias entre os organizadores foi outro desafio, mas que foi superado com diálogo entre os 21 alunos.
redeiras no evento para mostrar a cultura regional
“O maior desafio foi alinhar as ideias e lidar com mudanças. Teve convidado que desmarcou faltando poucos dias. A gente teve que mudar estratégia, reorganizar tudo. Mas foi na base da conversa que conseguimos resolver”, destacou o aluno Romildo Martins.
Para o aluno Zayron Emanuel, o contexto atual reforça a necessidade de iniciativas como essa.
“A gente percebe que a cultura cuiabana está se perdendo entre os jovens. Não porque deixou de existir, mas porque eles estão conectados a muitas outras culturas. Esse projeto foi uma forma de resgatar essa identidade e colocar em prática o que aprendemos na teoria”, disse.
Entre os convidados, a historiadora Mariana Marioto, doutoranda pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), destacou a importância da troca de conhecimento entre academia e a sociedade.
“É muito importante sair do meio acadêmico e compartilhar esse conhecimento. A história tem uma função social. Projetos como esse mostram que os alunos estão levando a sério, planejando, construindo algo coletivo. Isso é uma experiência muito rica”, afirmou.
Texto: Felipe Leonel