No Dia Internacional da Mulher, Senai Mato Grosso reforça protagonismo feminino na educação profissional e tecnológica
representa o Brasil na WorldSkills na China
Em um cenário de constante transformação tecnológica e aumento da competitividade, a indústria também passa por mudanças importantes, com a presença feminina contribuindo para um mercado cada vez mais diverso e inovador. Nesse contexto, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Mato Grosso (Senai MT) acompanha esse movimento e amplia a participação de mulheres na formação profissional.
Em 2025, a instituição registrou 6.246 alunas matriculadas em cursos técnicos e 31.954 matrículas de mulheres em cursos de aperfeiçoamento profissional, qualificação profissional, habilitação técnica e ensino superior. Já em 2026, as mulheres representam 9.918 matrículas, sendo 4.871 alunas nos cursos técnicos.
No ensino superior, o protagonismo feminino também se destaca. No UniSenai MT, Centro Universitário Senai Mato Grosso, as mulheres correspondem a 59,1% das matrículas na graduação e representam 60% das concluintes. Os números evidenciam o compromisso da instituição com a ampliação de oportunidades e com a formação de profissionais qualificadas para os desafios da indústria.
Histórias que inspiram
A trajetória de Eloisa de Lara Barros é um exemplo desse movimento. Ex-aluna do ensino médio da rede estadual e do Senai de Lucas do Rio Verde, onde cursou eletromecânica, ela afirma que a formação foi fundamental para sua trajetória profissional. Recentemente, a estudante foi aprovada em Engenharia de Controle e Automação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
“O Senai, além de me proporcionar experiências incríveis com pessoas e projetos, me trouxe conhecimento teórico e prático, já que o curso abrange diversas áreas. Esse aprendizado foi fundamental para me tornar quem sou hoje e para escolher a carreira que quero seguir”, afirma.
Outra história é a de Daniele Ferreira, de 19 anos, que estudou Mecatrônica no Senai de Várzea Grande ao lado da irmã gêmea, Débora Ferreira. A experiência na formação técnica foi decisiva para a escolha da carreira.
“Hoje curso Engenharia Elétrica por conta da experiência que vivi no Senai com a mecatrônica. Esse curso mudou totalmente o rumo da minha vida. Com essa vivência, percebi que nós, mulheres, somos plenamente capazes de atuar na área tecnológica e desenvolver projetos que impactam pessoas. Recomendo muito que outras mulheres busquem esse caminho, pois o mercado precisa de profissionais dedicadas, curiosas e comprometidas”, conta Daniele.
As irmãs também participaram da seletiva nacional da WorldSkills, em São Paulo, na modalidade #04 Mecatrônica, enfrentando desafios técnicos e ampliando o contato com profissionais da área.
Para Débora Ferreira, a formação no Senai também foi determinante para fortalecer sua confiança na área tecnológica.“Hoje curso Engenharia Elétrica por conta da experiência que vivi no Senai com a mecatrônica. Aprendi a programar CLPs, fazer instalações eletropneumáticas e montar estações mecatrônicas”, relata.
Segundo ela, o aprendizado contribuiu para superar barreiras e ampliar perspectivas profissionais. “Percebi que nós, mulheres, somos plenamente capazes de atuar nesse setor. Com a mecatrônica, perdi o medo e descobri que, com dedicação, posso realizar tudo aquilo que muitos ainda dizem que mulheres não são capazes de fazer”, afirma.
Parceria que amplia oportunidades
A ampliação da presença feminina no Senai Mato Grosso também está relacionada à parceria com o Governo de Mato Grosso, por meio da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT), na oferta do ensino médio integrado à formação técnica. As três estudantes citadas na matéria ingressaram na instituição por meio dessa iniciativa, que amplia o acesso de alunas da rede estadual à educação profissional e tecnológica.
Somente em 2025, o curso técnico de Mecatrônica foi um dos que registrou maior presença feminina, com mais de 600 estudantes matriculadas. A integração entre ensino médio e formação técnica permite que jovens tenham contato com áreas tecnológicas e industriais ainda durante a formação escolar.
Para a gerente de Educação Profissional e Superior do Senai MT, Jocely Nogueira, o avanço da participação feminina na formação profissional reflete um movimento de transformação no setor industrial.
“Cada vez mais mulheres estão buscando a educação profissional e tecnológica e ocupando espaços que, historicamente, foram dominados por homens. No Senai, trabalhamos para oferecer uma formação de qualidade, conectada às demandas da indústria, para que essas estudantes desenvolvam competências técnicas e se sintam preparadas para construir suas trajetórias profissionais”, afirma.
Participação feminina na indústria
Dados do Observatório de Mato Grosso do Sistema Fiemt, com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), mostram que a participação feminina na indústria varia conforme a faixa etária dos trabalhadores.
WorldSkills na modalidade mecatrônica
A maior presença proporcional de mulheres aparece entre trabalhadores de até 17 anos, onde elas representam 42,3% dos empregados do setor.
Nas demais faixas etárias, a participação feminina varia entre 26,3% entre 18 e 24 anos e cerca de 23% entre 25 e 39 anos, reduzindo para 21,9% entre 40 e 49 anos, 17,4% entre 50 e 59 anos e 10,6% entre trabalhadores com 60 anos ou mais.
É o caso da Danielly Rodrigues, de 24 anos, ex-aluna de Manutenção de Máquinas no Senai em Aripuanã e hoje profissional na indústria Nexa.
“A carreira de eletricista industrial exige muita responsabilidade e não permite erros. Por isso sou grata ao Senai por ter me dado as ferramentas e o conhecimento técnico necessários para enfrentar os desafios da indústria com confiança. Muitas vezes ouvimos que era um ‘trabalho de homem’, mas mostramos todos os dias que mulheres também entendem de elétrica e podem ocupar esses espaços, transformando o cenário da manutenção industrial e quebrando padrões”, reforça.
Texto: Agda Ribeiro e Amanda Simeone